BERNARDI DEIXA A CÂMARA DEPOIS DE 34 ANOS COM AGRADECIMENTO AOS CURITIBANOS

relatorio 22Bernardi, como presidente da CPI da Urbs, entrega o relatório dos trabalhos, que mostrou superfaturamento no preço da passagem do ônibus em Curitiba. (Foto: Chico Camargo)

 

Jorge Bernardi chegou pela primeira vez à Câmara Municipal de Curitiba, como vereador, em 1982, aos 26 anos. O jovem jornalista, cheio de ideias e ideais tinha uma meta: trabalhar pelas pessoas mais pobres, principalmente às residentes na periferia. A atuação firme fez de Bernardi, logo no primeiro mandado, um dos destaques da Câmara. O reconhecimento não demorou a chegar: ele foi eleito pelo jornal “Diário Popular” (que deixou de circular em 2009), por diversas vezes, como o “o vereador do ano em Curitiba”.

Por causa do seu trabalho na Câmara de Curitiba, Bernardi, a cada novo pleito municipal, conquistava a reeleição. E sempre com uma votação superior à outra. No Legislativo da Capital, ele fez história. Ganhou admiradores, respeito dos colegas e, por diversas vezes, foi apontado pela mídia política do Paraná como um dos cabeças do Palácio Rio Branco. Bernardi, muito cedo, chegou à presidência da Câmara, entre 1989 e 1991. E em todas as legislaturas que participou foi um dos que mais apresentou projetos. Nesta última, a sua derradeira, comandou a CPI mais importante dos últimos 20 anos da casa, a do transporte coletivo, também chamada de CPI da Urbs. Realizada em 2013, em meio a muita pressão e jogo de interesses, o trabalho só chegou ao final graças ao comando firme de Bernardi. O relatório da investigação mostrou muitas irregularidades nos contratos entre as empresas de ônibus e a Prefeitura. As denúncias estão, agora, esperando a ação do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado, que, inclusive, já referendou o relatório final de Bernardi, recomendando a redução de 20 centavos no valor da tarifa. A decisão se deve à comprovação de um superfaturamento neste valor em cada passagem.

Agradecimento

Sempre fazendo campanhas baratas, com base em um gibi que conta a própria história, Bernardi nunca se comprometeu com os sistemas de poder que financiam as campanhas dos políticos em Curitiba. Ao usar um método original, o “gibi da democracia”, que acabou virando livro, Bernardi conseguiu levar suas propostas de maneira clara a população, que reconhecia o trabalho do vereador, reelegendo-o. Enquanto exercia o mandato, sempre de maneira ética e respeitosa, Bernardi não parou de estudar. Formou-se em Direito. Fez mestrado e doutorado e também atuou como professor na Uninter, comandando um dos cursos superiores de maior sucesso no Brasil nos últimos anos, o de Gestão Pública.

Em 2017, ele ficará sem cargo eletivo. “Neste momento, em que encerro o meu mandato, quero vir a público agradecer a população de Curitiba por ter me apoiado durante todos estes anos”, disse, emocionado. Ele também agradeceu ao trabalho da mídia e dos jornalistas que, durante todos estes anos, divulgaram o seu trabalho. “A imprensa foi muito importante no desempenho do meu mandado, já que fiscalizou e divulgou os trabalhos que realizamos”, explicou.

O vereador também não deixou de fazer um agradecimento aos seus colegas de Câmara, que dividiram com ele, nos últimos 30 anos, a responsabilidade por fiscalizar o prefeito e por ajudar a fazer de Curitiba uma cidade mais humana e justa para todos os curitibanos. “Os vereadores têm um papel de destaque no desenvolvimento da cidade, pois eles aprovaram as principais mudanças que fizeram de Curitiba uma referência nacional em planejamento, transporte coletivo e desenvolvimento”, citou.

Bernardi desejou, ainda, muita sorte aos vereadores que irão assumir no dia 01 de janeiro de 2017. “Espero que façam um mandato realizador e que tenham nos desejos da população os objetivos principais de trabalho na Câmara”, finalizou.

prof. Reginaldo Polesi

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