A CPI QUE PÔS A NU OS TRAMBIQUES NOS CONTRATOS DAS EMPRESAS DE ÔNIBUS

Jorge BernardiJorge Bernardi em entrevista coletiva durante aa CPI dos ônibus: "O preço da passagem pode baixar até 30 centavos".

 

Uma das bombas de efeito retardado que o prefeito Gustavo Fruet deixará para a próxima administração é a questão do transporte coletivo. A CPI presidida pelo vereador Jorge Bernardi (Rede) mostrou, em 2013, com farta documentação,  diversas irregularidades no setor, como cartel, sobrepreço e uso de ônibus velhos.  As provas foram entregues ao Tribunal de Contas, junto como o relatório final da CPI do transporte coletivo. Durante seis meses, a CPI ouviu empresários, políticos e técnicos, analisou centenas de documentos que mostraram a maneira irregular e criminosa como os contratos foram fraudados para beneficiar as empresas.

Por meio da CPI, que começou no dia 28 de junho de 2013, a oposição fiscalizou de maneira intensa o transporte coletivo da capital paranaense. De acordo com o relatório entregue ao Tribunal de Contas, as empresas de ônibus articularam um processo para não ter concorrência. Vinte e seis pessoas foram ouvidas no total, incluindo diretores e ex-diretores da Urbs. Na época, o vereador, Jorge Bernardi, em entrevista coletiva, foi contundente sobre o processo: “Há indícios vigorosos de formação de cartel, por causa da composição dos consórcios, constituídos por empresas vinculadas às mesmas famílias e grupos econômicos, e pelo direcionamento da licitação a essas empresas”.

Passagem superfaturada

O relatório final da CPI do Transporte Coletivo mostrou, com fartas provas, que a passagem de ônibus em Curitiba poderia ser reduzida, na época,  entre R$ 0,25 e R$ 0,30. No mesmo período em que os vereadores, liderados por Bernardi, coletavam os documentos que mostravam malversação na concorrência, os passageiros pagavam uma tarifa de R$ 2,70. Sem levar em conta as provas levantadas, o prefeito continuou favorecendo às empresas em detrimento dos passageiros e hoje o custo da passagem é de R$ 3,70.

Em função das muitas irregularidades, a CPI pediu a anulação da licitação aberta em 2009, que definiu as atuais empresas que fornecem o serviço de transporte coletivo na cidade e ainda sugeriu o indiciamento de mais de 70 pessoas. Junto com os demais integrantes da CPI, o  vereador Jorge Bernardi encaminhou o relatório, além do Tribunal de Contas,  para o  prefeito Gustavo Fruet, o Ministério Público e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica e criou uma comissão especial para acompanhar os resultados da sequência das investigações e possíveis punições.

Passado mais de um ano da conclusão da investigação, a Prefeitura não tomou nenhuma medida para dar transparência aos contratos com as empresas de ônibus. Mas na esfera jurídica,  os desdobramentos da CPI ainda preocupam muitos poderosos da capital, envolvidos na licitação. O que vem tirando o sono de muita gente é a já anunciada delação do advogado Sacha Reck, preso no início de julho na "Operação Riquixá", que investiga a máfia que fraudava licitações de transporte coletivo no Paraná.  Esta delação pode ser a primeira de muitas. E vai desanuviar os curitibanos desta neblina que paira, há anos, sobre o transporte coletivo da cidade, que já foi modelo, sendo copiado no Brasil e no exterior. Hoje, não mais.

Confira algumas notícias da CPI dos ônibus na mídia:

http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/11/cpi-do-transporte-coletivo-aponta-que-tarifa-podia-custar-r-222.html

http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/11/cpi-do-transporte-coletivo-em-curitiba-aprova-relatorio-final.html

http://www.bandab.com.br/jornalismo/cpi-urbs-conclui-tarifa-transporte-curitiba-regiao-custar-r-

http://www.tribunapr.com.br/noticias/parana/em-silencio-fruet-recebe-relatorio-da-cpi-do-transporte-coletivo/ 

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