JORGE BERNARDI, CANDIDATO A VICE-PREFEITO DE REQUIÃO FILHO, DEFENDE A BANDEIRA DA SUSTENTABILIDADE

jorgeufpr640Candidato da coligação “Curitiba Justa e Sustentável” fala de mudança partidária, governo Temer, relação com o governo estadual, entre outros temas Bernardi pretende incentivar a capacitação profissional dos jovens, mas também políticas de empreendedorismo e valorização do potencial artístico e criativo. Foto: Gustavo Queiroz.

 

Formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Jorge Bernardi é integrante do partido Rede Sustentabilidade (REDE). O candidato, que já foi presidente da Câmara Municipal de Curitiba e é vereador do município pelo sétimo mandato, acredita que a sustentabilidade elimina as diferenças entre esquerda, direita e centro, e os seres humanos passam a ser olhados na sua integralidade.

Jornal Comunicação: No plano de governo de sua coligação, se ressalta a importância do planejamento e integração de ações da prefeitura e região metropolitana. Qual a proposta do seu governo para a integração do transporte público?

Jorge Bernardi: Temos que rever a licitação do transporte coletivo que criou esse ambiente de desintegração, porque embora sejam as mesmas empresas que atuem no sistema metropolitano, nessa região não foi feita uma licitação. Teria que haver integração entre Curitiba e a região metropolitana, mas com uma tarifa mais barata e mais eficiência no sistema de transporte. Para isso, nós estamos prevendo o terceiro anel rodoviário em Curitiba, no qual haveria uma integração com os terminais. As pessoas não precisariam mais ir até o Centro pra depois pegar outro ônibus. Como condição básica para isso, estamos prevendo um plano de mobilidade urbana com metas para 4, 8, 20, 50 anos, e não da maneira como é feita hoje: só no improviso.

JC: Até 2015 o senhor fazia parte do PDT. Hoje é líder da oposição na câmara. O que motivou sua opção de mudar de partido e hoje concorrer contra o candidato que apoiou na última eleição?

JB: Eu saí porque eu tive uma decepção muito grande com o partido a nível local. As atitudes que ele [Gustavo Fruet] tomou como prefeito e a forma como ele está governando a cidade de Curitiba foram um dos motivos. Ele abandonou aqueles ideais que nós defendíamos. Já a REDE tem uma proposta que se coaduna mais com o século XXI e os próximos séculos, que é a bandeira da sustentabilidade. Não é uma bandeira nem de direita, nem de esquerda e nem de centro. A sustentabilidade vai além das ideologias, você se posiciona vendo a humanidade e a vida como um todo. Você tem que olhar o ser humano na sua integralidade. A REDE fez coligações com todos os partidos, porque nós não olhamos a questão da sigla, nós olhamos as pessoas. Quando você olha o ser humano, você vê que em todos os partidos tem gente boa e gente que não presta. Quando foi proposta essa aliança com o PMDB, é porque aqui no Paraná o PMDB é diferente.

JC: Falando em sustentabilidade, qual a proposta de sua chapa para a limpeza dos rios de Curitiba?

JB: Nós temos que cobrar da Sanepar, que é a maior poluidora dos rios de Curitiba. Começando pela bacia do Rio Belém. E vamos fiscalizar para que o esgoto deixe de ser jogado nestes locais. Vamos fazer uma ação conjunta, envolvendo a população. Temos que ter metas de curto, médio e longo prazo para limparmos os nossos rios e eles voltarem a ter vida.

jorgeufpr2O candidato defende uma guarda municipal equipada, que respeite o cidadão e combata efetivamente a criminalidade. Foto: Gustavo Queiroz.

JC: Como se pensa a relação do governo municipal sob sua gestão com o governo estadual de Richa, uma vez que existe uma oposição de planejamento político entre os partidos?

JB: Será uma relação republicana. Vamos manter um relacionamento institucional, fazer projetos juntos, mas vamos também fazer o nosso dever de casa: sanear as finanças do município. Para sanar as dívidas de curto prazo (que chegam a 800 milhões), vamos precisar cortar gastos que não produzem nada, como os cargos comissionados. A prefeitura de Curitiba tem 44 órgãos de primeiro escalão. Com essa estrutura enorme, você tem custo de pessoal muito grande. Nossa meta é reduzir para menos de 20 e fazer com que esse dinheiro economizado seja aplicado em benefício da população curitibana.

JC: Candidato, seu colega de chapa, Requião Filho, pertence ao partido PMDB; mesmo partido de Michel Temer, hoje presidente da república. Para o senhor, o processo de impeachment foi golpe? Como você avalia o governo Temer?

JB: Na minha opinião, ficaram dúvidas sobre a legalidade do impeachment. Não ficou muito caracterizado o crime de responsabilidade da presidenta. A minha visão é de que essa chapa [de Temer] deveria ter sido cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral, e termos novas eleições. Agora o governo Temer está se consolidando, tem uma base parlamentar. Vamos ver com o decorrer das delações premiadas até que ponto vai atingir a figura do presidente. Uma vez que o governo já está instalado, se ganharmos as eleições, acredito que devemos manter as relações institucionais, porque já não é mais um processo eleitoral e sim administrativo. Quem está governando o país tem que cumprir com aquilo que diz a constituição, da mesma maneira o estado e o município. As relações não devem ter benefícios ou privilégios.

JC: No seu planejamento de governo, se propõe uma intensa interação entre a prefeitura e o público através da internet. Qual a diferença da proposta de sua coligação para os canais já existentes na prefeitura?

JB: O Requião Filho procurou fazer essa interação com a comunidade colocando o Quinzap, que é um Whatsapp em que todas as pessoas podem mandar mensagem. Só na primeira semana, ele já recebeu mais de 20 mil mensagens. Queremos continuar com isso, fazendo com que a população participe. Usar ao máximo as tecnologias para fazer com que os temas sejam discutidos. As audiências públicas são realizadas no período da tarde, quando as pessoas estão trabalhando, estudando. Nós queremos, além de audiências em horários compatíveis, que as pessoas possam usar das tecnologias para levar seu ponto de vista até a administração municipal.


JC:
O candidato Requião Filho falou, recentemente, da grande incidência de moradores de rua em Curitiba e da necessidade de dar oportunidades a estas pessoas. De que maneira isso seria feito?

JB: Esse é um problema seríssimo da cidade de Curitiba, e que deteriorou nos últimos anos. A prefeitura não vai resolver sozinha. Curitiba tem mais de mil igrejas, entre católicas e evangélicas. Nós vamos envolver essas comunidades no processo de resgate. Vamos fazer com que haja políticas que facilitem que a pessoa volte para o mercado de trabalho. Tem que ter políticas integradas, não só abrigar e alimentar pessoas, mas principalmente dar dignidade a elas para que possam superar esses traumas – seja a droga, o alcoolismo ou qualquer outro problema que faz com que elas morem na rua. Eu acho que há condições de resgatar boa parte dessa população.

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