Lava Jato não consegue nem pôr ordem na própria casa

bernardi fruet richa moroO vereador curitibano Jorge Bernardi (REDE) desmistifica para o país o fato de o Paraná, sede da Lava Jato, a falsa ilusão de que “não há corrupção e picaretagem” por estas plagas. Pelo contrário, informa o colunista, que, no entanto, reconhece o esforço do Ministério Público e da Justiça. Bernardi cita recentes ações do Gaeco em empresas de transporte coletivo e informática da capital, bem como a extinção de 30 cargos de “consultor estratégico”, com salário de R$ 22 mil cada, na companhia de água e esgoto (Sanepar). “Uma afronta à inteligência paranaense, à ética e ao bom senso”, protesta o vereador da REDE, que denuncia ainda prática idêntica ao do governo Beto Richa (PSDB) — e continuada– na gestão de Gustavo Fruet (PDT) na Prefeitura de Curitiba, mais precisamente na Cohab (Companhia de Habitação). Abaixo, leia, ouça, comente e compartilhe a íntegra do texto:

Justiça deixa comissionados da Sanepar e Cohapar com barbas de molho

Jorge Bernardi*

Graças à atuação da Policia Federal, do Ministério Público Federal e da Justiça Federal, o Paraná aparenta ser o estado em que a corrupção está sendo combatida com maior rigor em todo o Brasil. Porém, apesar dos esforços do Gaeco paranaense e da luta constante de alguns policiais, procuradores e promotores de justiça, ainda está longe do ponto ideal para erradicar a corrupção em território paranaense.

Nestes últimos dias, notícias alvissareiras ocorreram: a prisão de alguns integrantes da quadrilha que atuava no transporte coletivo, batizada de Operação Riquixá, e também investigações profundas do Gaeco no ICI, Instituto Cidades Inteligentes, aqui de Curitiba, que domina o mercado de tecnologia da informação.

O que deixa todos desanimados é que criminosos que fraudaram licitações no transporte coletivo em várias cidades paranaenses e brasileiras ficaram poucos dias na cadeia. Tem-se a impressão de que a Operação Lava Jato é um ponto fora da curva no combate a corrupção. No resto, tudo fica como está.

A corrupção institucional começou a ser enfrentada no Paraná com a decisão da Justiça para que a Sanepar, empresa de saneamento do Paraná, extinga 30 cargos em comissão criados irregularmente para atender aos interesses políticos do Governo Beto Richa. Os cargos, denominados de “consultores estratégicos” é uma afronta à inteligência paranaense, à ética e ao bom senso.

Com remuneração acima de R$ 22 mil reais, esta corriola de luxo, é formada por políticos fracassados nas urnas (ex-deputados, federais e estaduais, prefeitos e vereadores), amigos e correligionários do governador. Alguns ocupavam os cargos desde 2011 e agora espera-se que a Justiça determine que os valores recebidos nestes anos todos, cerca de R$ 1.500.000,00 por cada “consultor estratégico”, seja devolvido aos cofres desta empresa controlado pelo governo, com juros e correção monetária.

Falta a Justiça determinar a extinção de outros 40 cargos em comissão da mesma natureza, também com gordos salários na Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná), ocupados por figuras manjadas da política paranaense.

A irregularidade não está apenas nas duas companhias estaduais. Na Cohab de Curitiba foram criados cargos desta natureza na Gestão Richa/Ducci e que estão sendo preenchidos, sem concurso, por apadrinhados da Gestão Fruet. Mudam os atores, porém as práticas continuam as mesmas. Mais prejuízo para o povo trabalhador que paga impostos.