Operação Riquixá coroa a queda de máfias no Brasil

onibus bernardiO vereador Jorge Bernardi (REDE), que presidiu a CPI do Transporte Coletivo de Curitiba, em sua coluna deste sábado (2), à luz da Operação Riquixá, revela que em 2013 havia pedido providências do Ministério Público para conter a máfia do transporte coletivo. O colunista lembra que, também nesta semana, caiu outra máfia, a da informática, mas pede para cair outras quadrilhas que ainda atuam em áreas como o lixo, merenda escolar e pedágio. Abaixo, leia, ouça, comente e compartilhe a íntegra do texto.

 

Riquixá e a queda das máfias no Brasil

Jorge Bernardi*

Definitivamente o Brasil está mudando. O crime organizado que agia impunemente em várias esferas da administração pública está sendo alvo de operações quase que diárias da Policia Federal e do Gaeco aqui no Paraná. A Operação Riquixá, alusão ao transporte de tração humana em que uma pessoa puxa carroça de duas rodas, é a novidade.

As operações mais famosas são a Lava Jato, Zelotes, Turbulência e Custo Brasil. Recentemente surgiram a Operação Saqueador, envolvendo a construtora Delta e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, e a Operação O Recebedor/Tabela Periódica, que pegou empreiteiras que constroem ferrovias federais como a Norte/Sul.

A Lava Jato, mãe de todas as operações recentes da Policia Federal, desvendou o maior cartel que há décadas atuava na Petrobras e outras áreas da construção pesada no Brasil. Os maiores empreiteiros do Brasil passaram ou estão presos na carceragem da Policia Federal e no Complexo Medico Penal em Pinhais.

A Zelotes indiciou homens mais poderosos do país como os presidentes Bradesco e da Gerdau. Na Custo Brasil foram roubados mais de R$ 100 milhões de reais de aposentados e funcionários públicos federais.

No Paraná duas grandes operações estão em cursos: a Operação Zelotes, ou a máfia dos fiscais da Receita Estadual, com prejuízo de R$ 1 bilhão de reais aos cofres do estado; e a Operação Quadro Negro, em que milhões foram desviados na construção de escolas.

Nesta semana, outras duas áreas problemáticas em que operam verdadeiras máfias impunemente há décadas, lesando o patrimônio público e causando enormes prejuízos a população, começaram a desmoronar no Paraná: Operação Riquixá, o transporte público coletivo urbano e a Operação ICI, serviço de informática que atende prefeituras como a de Curitiba. Faltam ainda cair outras quadrilhas que atuam em áreas como o lixo, merenda escolar e pedágio.

A prisão de advogados e consultores ligados a máfia do transporte coletivo, na Operação Riquixá, abre a perspectiva positiva para definitivamente desbaratar o crime organizado que atua impunemente em dezenas de municípios brasileiros no transporte coletivo urbano.

A CPI do Transporte Coletivo de Curitiba, em 2013, entregou ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas o modus operandi destas quadrilhas. Só o Tribunal de Contas agiu, determinando a redução da tarifa técnica do ônibus em 33 centavos. A Operação Riquixá renova a esperança de que os bandidos de colarinho branco finalmente responderão por seus crimes.