País dividido e riscos de guerra civil

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Ao completar um ano como colunista do Blog do Esmael, o vereador Jorge Bernardi (REDE) aborda o acirramento da luta política e o risco da disputa descambar para a radicalização violenta de uma guerra civil nacional. Bernardi afirma que o brasil está dividido entre azuis e vermelhos, entre os que são a favor e os que são contra o impeachment; e que o ódio está transbordando das redes sociais e atingindo as relações pessoas, com amizades rompidas e até brigas familiares. Segundo o vereador, isso indica que o Brasil está num caminho perigoso que pode resultar em muitas mortes. Ele cita a guerra civil da Síria que já dura cinco anos com mais de 400 mil mortes e mais de 6 milhões de refugiados; e lembra que lá os conflitos começaram com manifestações de rua da dita “primavera árabe”. Leia, ouça, comente e compartilhe.

 

A divulgação de conversas grampeadas do ex-presidente Lula, pelo juiz Sérgio Moro, que atua no processo do Lava Jato, foi como jogar gasolina numa fogueira. Houve uma comoção social, de norte a sul do país, milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra a posse do ex-presidente como Chefe da Casa Civil, do Governo Dilma Rousseff.

Independente da discussão jurídica se o magistrado poderia ou não divulgar conversas de caráter pessoal e, principalmente aquela envolvendo a Presidenta Dilma, que possui prerrogativa de foro, o fato está consumado e pode ter ainda consequências mais graves do que as manifestações de rua.

O Brasil está dividido entre azuis e vermelhos, entre aqueles que são a favor e os que são contra o impeachment. O ódio que estava sendo destilado em opiniões no mundo virtual, nas redes sociais, agora está presente nas discussões das pessoas. Há amigos rompendo amizades, casais discutindo e brigando dentro de casa, por opiniões divergentes em relação aos acontecimentos políticos. O Brasil está marchando para um caminho perigoso que pode causar muitas mortes.

O exemplo vem do oriente médio, com a guerra civil da Síria, que completou recentemente 5 anos e que fez mais de 400 mil mortos, e se transformou no maior deslocamento humano desde a 2ª. Guerra mundial, com mais de 6 milhões de pessoas refugiadas. Aquela guerra começou com as manifestações de rua durante a Primavera Árabe.

A última guerra civil brasileira, a Guerra do Contestado, está completando um século de seu término, em 2016. Ocorreu na região oeste de Santa Catarina e sudoeste do Paraná, deixando entre 3 a 8 mil mortos, envolveu mais de 25 mil pessoas, foi um verdadeiro genocídio. O exército nacional usou um terço de seu efetivo, mais de 6 mil homens, para debelar os sertanejos que se revoltaram contra a usurpação de suas terras.

Num momento de grave tensão social, com a crise econômica gerando milhões de desempregados, é hora das lideranças brasileiras políticas, judiciais, empresariais, religiosas, artísticas agirem com bom senso e não tencionar mais o tecido social.

As paixões políticas, por mais justas que possam parecer, não justificam o derramamento de sangue. E tudo caminha para isto, um retrocesso sem precedentes na democracia brasileira, que pode desembocar até numa guerra civil. Nestes tempos difíceis, o Brasil e os brasileiros devem sempre estar em primeiro lugar nas nossas mentes e corações..