Deputado Eduardo Cunha, da glória ao lixo

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Em sua coluna deste sábado, o vereador Jorge Bernardi (REDE) fala da ascensão e queda meteórica do (ainda) presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB). Bernardi aponta que Cunha já foi tido como herói nos protestos contra a presidenta Dilma Rousseff (PT), pois ajudaria a tirar o País da lama da corrupção. Ao ser flagrado em desvios milionários e com contas secretas na Suíça, agiu como um psicopata, sem demonstrar nenhum arrependimento. Leia, ouça, comente e compartilhe.

“E os bens e as honrarias, fáceis de adquirir, são fáceis de perder”, nunca a afirmação de Pitágoras, nos “Versos de Ouro”, traduzidos pelo poeta simbolista Dario Vellozo, foram tão reais como para o deputado carioca, Eduardo Consentino Cunha (PMDB), presidente da Câmara dos Deputados.

Há apenas alguns meses, milhares de brasileiros saíram as ruas com faixas: “somos todos Cunha”, “somos milhões de Cunhas”, “Cunha o restaurador da moralidade vem aí, para recuperar os valores da política”, numa referência ao presidente da Câmara dos Deputados, então o paladino da ética.

“E agora José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu a noite esfriou, e agora, José e agora, você?”. E agora Cunha? O Brasil descobriu que o presidente da Câmara dos Deputados, como todos os outros réus da Lava Jato, recebia dinheiro da corrupção da Petrobras. E quem desvendou e bloqueou as contas secretas de Cunha, foi a Justiça da Suíça.

Eduardo Cunha e a mulher usaram este dinheiro sujo roubado do povo brasileiro, para pagar academia de tênis na Flórida, escola na Inglaterra e outras despesas pessoais. Até agora as contas secretas do deputado, que mentiu na CPI da Petrobras, ao negar a existência delas, já movimentaram mais de R$ 30 milhões de reais.

E o que dizer aos milhares brasileiros que, ingenuamente, viam no deputado Cunha o herói que combateria todos os desmandos da política brasileira. A frustração é geral, já que o deputado é um dos principais integrantes da organização criminosa que rouba a nação.

Eduardo Cunha já foi denunciado pelo Ministério Público Federal ao Supremo Tribunal Federal, baseado em documentos e colaborações premiadas, por ter recebido R$ 5 milhões de reais de propina em corrupção na Petrobras. Parte da propina foi depositada em igrejas evangélicas, de onde vem a maior parte de seus eleitores.

Ao responder perguntas de repórteres sobre contas secretas na Suíça, Cunha demonstra a mesma indiferença dos psicopatas, sem nenhum tipo de arrependimento. Uma frieza assustadora. E este homem é o terceiro na linha sucessória do maior cargo da república brasileira. E pior, possui na Câmara, um séquito de fiéis seguidores, de vários partidos.

Eduardo Cunha diz que não vai renunciar ao cargo pois tem muitos apoiadores no Congresso, entre eles alguns paladinos da oposição. O impeachment da presidenta é a arma que ele dispõe para não ir só ao lixo.