Paraná é o berço dos maiores escândalos de corrupção que assombram o País

Bernardi Lava Jato

Jorge Bernardi, em sua coluna deste sábado (1º), afirma que há uma maioria silenciosa apoiando os juízes e procuradores na faxina contra a corrupção no País; no entanto, ele denuncia que está em marcha uma espécie de “pacto”, entre a elite, que visa deixar tudo como está após a Operação Lava Jato; colunista compara as investigações conduzidas pelo juiz paranaense Sérgio Moro a Operação Mãos Limpas, na Itália, que fechou partidos, prendeu políticos e empresários, enfim, pôs fim à 2ª República Italiana; Bernardi recorda que o Paraná, onde também estão em andamento as operações Publicano e Voldemort, pelo Gaeco, que investigam propinas na Receita Estadual e fraudes em licitações no governo Beto Richa, é o berço dos maiores escândalos de corrupção que assombram o País, mas também dá o exemplo nas investigações; leia o texto e compartilhe.

 

Pela teoria das elites, Mosca explica que “as minorias comandam as maiorias porque têm interesses comuns e isto dá a elas uma unidade de impor seus interesses”. Pareto acrescentou a esta teoria “a circulação das elites”, em que as elites vão substituindo suas peças e mudando seus atores, para continuar governando. Mudar tudo para ficar tudo como está.

A menos que ocorra uma verdadeira “Operação Mãos Limpas”, no Brasil, a impressão que se tem é que, passado o furacão “Lava Jato”,a nível nacional, e Operações Publicano e Voldemort, no Paraná, tudo vai continuar da mesma maneira como tem sido nos últimos 500 anos: as elites se entendem e a situação se acomoda, sem punir corruptos e corruptores.

Na Itália, a “Operação Mãos Limpas”, nos anos 80 e 90, investigou a máfia, empresários e políticos corruptos daquele país. Ganhou força com delação do mafioso Tomasso Buscetta (que viveu no Brasil) e, no final do processo, 6.059 pessoas foram investigadas, entre eles 872 empresários, 1.978 administradores, e 438 deputados e senadores, inclusive quatro que já haviam sido primeiros-ministros. Dois juízes italianos foram mortos pela máfia: Borsellino e Falconi.

Partidos tradicionais italianos desapareceram ou mudaram de nome, como a Democracia Cristã, Partido Socialista Italiano, Partido Social Democrata, Partido Liberal, e o Partido Comunista, que se tornou o Partido Democrático de Esquerda. Foi o fim da 2ª. República Italiana.

A corrupção é endêmica em todos os níveis e poderes da administração pública nacional. O Paraná, infelizmente, é o berço dos maiores escândalos que assombram o país. Mas é daqui que estão saindo exemplos para o Brasil. A sede da Policia Federal, no bairro Santa Cândida, e da Justiça Federal, no Cabral, em Curitiba, estão se tornando pontos de visitação turística, face ao trabalho exemplar, até agora de policiais, procuradores e juízes.

Prevendo que os crimes apurados possa dar em nada, Londrina, onde tudo começou, pede designação de juiz exclusivo para atuar nas Operações Publicano e Voldemort, que apuram a corrupção no Governo Richa. Justificam lembrando que, há 15 anos, aquela cidade viveu o escândalo de corrupção “Ama-Comurb” que não puniu ninguém e muitos dos crimes prescreveram.

O povo brasileiro está cansado de ser enganado pelas elites. Há um apoio silencioso para que as instituições funcionem conforme a lei: a Policia, investigue; o Ministério Público, denuncie; e o Judiciário, julgue e puna os culpados de cometer crimes contra a ordem pública. O desejo sincero e profundo é que justiça seja feita.