A prisão de Odebrecht e o silêncio da mídia nacional com a corrupção no governo Richa

bernardirichaCom as prisões dos presidentes das duas maiores construtoras brasileiras, Odebrecht e Andrade Gutierrez, que até então estavam blindadas na Operação Lava-Jato, a casa da mega corrupção brasileira que estava abalada, desmoronou de vez. Mas ainda tem muita sujeira debaixo do tapete que deve ser varrida, começando com as fraudes praticadas por bancos, montadoras de automóveis, siderúrgicas, cimenteiras e outras grandes empresas apontadas no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, CARF, órgão do Ministério da Fazenda.

A corrupção na Petrobrás é apenas a ponta de um iceberg que atinge toda a sociedade brasileira, começando pelas instituições públicas. Até agora a Policia Federal e os Procuradores da República chegaram a cerca de R$ 19 bilhões de desvios na petroleira nacional.

A fraude monumental no CARF também conhecida como Operação Zelotes, inexplicavelmente, pouco ou quase nenhum espaço tem na grande mídia. Será porque além de envolver bancos, montadoras de automóveis, portanto grandes anunciantes, também são suspeitas de se beneficiarem grandes empresas na área de comunicação social? Será porque nela, por enquanto, não foram encontrados agentes políticos. O valor dos desvios na Operação Zelotes também é monumental chegou também a R$ 19 bilhões.

A prisão de Marcelo Oldebrecht é emblemática, simbólica, pois se trata do dono da maior empreiteira brasileira, multinacional, com tentáculos em vários países do mundo, fazendo obras financiadas pelo tesouro brasileiro. Erga omnes, a lei vale para todos, como foi batizada esta operação significa que o Brasil está deixando de ser uma república de uns poucos, que só pobres vão para a cadeia.

Mas nesta prisão observam-se o caráter das elites brasileiras. Setores da mídia, procuram passar o sentimento de que o presidente da Oldebrecht está sendo injustiçado. Jornais chegaram a publicar, com destaque, argumentos da defesa objetivando criar um clima para tirar o empreiteiro da cadeia. Ora, qualquer advogado (e há milhares de defesas no fórum de Curitiba) utilizam diariamente essas mesmas alegações na defesa de seus clientes, que nenhum destaque tem na imprensa e nem sempre são aceitos pelos magistrados.

O trabalho do Gaeco no Paraná, na Operação Publicano investigando a corrupção comandada pelo primo do governador, Luiz Abi, praticada por fiscais da receita estadual de Londrina, pouco destaque tem recebido a mídia nacional. E praticamente nenhuma divulgação da corrupção na construção de escolas (Seed/Fundepar) e irregularidades no Instituto Ambiental do Paraná, IAP.

Uma sociedade democrática e evoluída tem o dever moral de apoiar os agentes públicos que cumprem com o seu dever, no caso, policiais, promotores, procuradores e magistrados.