Patriotas, Lei de Gerson, Pessoa e a liberdade da “eminencia parda” do governo Beto Richa

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Há 150 anos, na Guerra do Paraguai, as tropas do Brasil não conseguiam passar uma pequena ponte no riacho Itororó. No meio da luta emergiu um homem de cabelos brancos e gritou: “sigam-me os que forem brasileiros”. Era o Duque de Caxias, com 65 anos, que num gesto de bravura conduziu o exército brasileiro a vitória.

 

No passado haviam heróis na liderança da pátria. Hoje há ladrões. Com raras exceções, quem está no Poder e quem quer alcançá-lo, só pensa em locupletar-se, levar vantagem, como na Lei de Gerson. O capitão da Seleção Canarinho de 1970, deu nome a lei, ao fazer propaganda de cigarro, num tempo em que até atletas fumavam. Ele terminava com o bordão: você vai levar vantagem sempre. O Brasil mudou nestes 40 anos, fuma-se hoje muito menos. Em relação a corrupção, o aumento foi brutal.

 

A delação premiada do dono da UTC, Ricardo Pessoa, o capo do cartel das empreiteiras, que agiam na Petrobras, roubando bilhões de reais, revelou a podridão nas entranhas do Poder. Nada que as “pessoas” já não soubessem, mas que agora foi confessada por um Pessoa, que financiou e enriqueceu às custas da corrupção de autoridades.

 

Partidos e políticos e foram revelados como beneficiários da farra da propina arrecadada com obras superfaturadas. São citados: PT, PMDB, PP, PTB, PSB, e pasmem, até o PSDB, o partido da oposição. Corrupção, como o dinheiro, não tem cheiro, diziam os romanos “pecúnia non olet”.

 

Entre figurões da República, além das campanhas de Lula e Dilma, receberam dinheiro sujo da corrupção: José Dirceu, João Vaccari Neto, Edison Lobão, Renan Filho, Gim Argello, Aloizio Mercadante e Fernando Haddad. Impressionou a propina ao ex-presidente Collor de Mello, R$ 20 milhões; e surpreendeu os R$ 200 mil reais recebidos pelo senador Aloysio Nunes, vice de Aécio Neves.

Mas enquanto alguns empreiteiros cumprem forçado retiro na carceragem da Policia Federal, o primo, do governador Beto Richa, Luiz Abi, comandante em chefe da quadrilha de fiscais da receita estadual de Londrina, está livre, leve e solto. E ainda pagou a conta de hotel do Secretário da Fazenda, Mauro Ricardo, o pai de todas as maldades contra contribuintes e servidores públicos paranaenses.

 

O argumento o magistrado para libertá-lo criou jurisprudência, verdadeira joia jurídica: “afastado das funções públicas Luiz Abi, não poderá interferir no andamento das investigações”, escreveu. Como senhor Ministro? O paciente que o senhor tirou da cadeia não exerce nenhuma função pública. Há entendi, citando o blogueiro Cícero Cattani: “eminência parda do governo agora é servidor público”.