O surpreendente desinteresse da senadora Gleisi pelo metrô de Curitiba

bernardi gleisi metro

“Para o bom entendedor, meia palavra basta”, diz o adágio popular. No último dia 9 de abril, a senadora Gleisi Hoffmann, em longo comentário em sua página no Facebook, mandou um recado para o prefeito Gustavo Fruet que, no dia anterior, esteve em Brasília solicitando um reajuste ao Governo Federal de R$ 463 milhões para a implantação do metrô de Curitiba.

 

A senadora começou o seu comentário com um conselho ao prefeito, dissimulado de sugestão a cidade: “Curitiba deveria rediscutir o projeto de Metrô…”. E acrescentou: “…não me parece que a intenção de construir o Metrô em Curitiba seja para valer ”.

 

Lembrou que já houve diversos anúncios sobre o metrô curitibano e que, em duas oportunidades, a presidenta Dilma esteve em Curitiba anunciando primeiro um aporte do governo federal de R$ 1 bilhão, e depois aumentado para R$ 1,8 bilhão.

 

Esqueceu, no entanto, de acrescentar que os eventos com a presidenta Dilma, para anunciar os recursos federais, ocorreram no período pré-eleitoral quando a senadora já se apresentava como futura candidata ao governo do Paraná.

 

Mas por que a senadora do PT não quer mais o metrô de Curitiba se, há apenas alguns meses, ela era uma da mais entusiasta desta bilionária obra? Será que é por que as principais empreiteiras deste país estão envolvidas no maior escândalo de corrupção que o Brasil jamais viu? E, portanto, elas dificilmente teriam condições econômicas, técnicas e políticas de participar da construção desta obra grandiosa? Que outros interesses secretos movem a senadora?

 

Bem, se prefeito Gustavo Fruet conseguir reajustar os recursos federais e fizer o primeiro buraco, iniciando a obra do metrô, ele terá dado um passo importante para a sua reeleição.

Com um gesto ousado, corajoso e destemido como este, Fruet poderá superar toda a desaprovação atual e se tornar, novamente, um candidato viável, com grandes chances de vitória. Mas isto interessa a senadora e ao seu partido, o PT, que tem sinalizado que terá candidatura própria em 2016 à Prefeitura de Curitiba?

 

A pergunta que fica: terá a senadora e ex-ministra-chefe da Casa Civil (outrora toda poderosa, agora nem tanto) força suficiente para impedir, junto ao governo federal, o reajuste de R$ 463 milhões de reais destinados ao metrô de Curitiba? Só o tempo responderá esta pergunta.